SILENCE
Silêncio, cuja ação decorre no século XVII, conta-nos a história de um missionário português envolvido na aventura espiritual da conversão dos povos orientais, o qual acaba por se retirar, após ter sido sujeito às mais abomináveis pressões das autoridades japonesas, para evitar que um grupo de fiéis seja por ordem delas torturado até à morte.
Antes de chegar ao Japão, a sua viagem leva-o a Goa, depois a Macau e, finalmente, a Nagasáqui e Edo, em etapas que pouco a pouco o transportam a esse Oriente hostil, onde no entanto já se contam alguns milhares de convertidos à fé católica.
Aí descobre, na luta contra as pessoas e o ambiente adversos, a verdadeira fé, liberta de todo o aparato externo, eclesiástico ou mundano. E aí acaba por experimentar a derradeira solidão, que é o destino daqueles que quebram a comunhão com o que mais profundamente marca a sua identidade.
Um livro que é uma profunda reflexão sobre o ser humano, as religiões e os poderes instituídos. Mais que um romance de época ou histórico, Silêncio, envolve-nos nas perseguições aos Jesuítas que ocorreram no Japão entre finais do século XVI e inícios do século XVII. Mas este é apenas o pano de fundo para todo um diálogo interior que ocorre entre as principais personagens e o mundo que os rodeia, da natureza ao outro, de deus a eles mesmos. E Endo escreve-o, maravilhosamente bem. Ao mesmo tempo que nos agitamos com os conflitos exteriores e interiores descritos, a sensação que fica a cada linha é de uma profunda paz e calma... uma necessidade de... silêncio!
Shusaku Endo
Considerado um dos mais refinados escritores do século XX, Shusaku Endo (1923-1996) escreveu a partir da perspetiva fora do comum de ser japonês e católico. Nascido em Tóquio, foi batizado aos 12 anos, numa altura em que os cristãos representavam menos de 1% da população japonesa. Formou-se em Literatura Francesa, pela Universidade de Keio.
